O Cartão de Cidadão (CC), a autenticação segura e a assinatura digital
A Lei n.º 7/2007, de 5 de fevereiro, implementou o Cartão de Cidadão (CC) como documento de identificação dos cidadãos portugueses.
Este documento é obrigatório para todos os cidadãos nacionais a partir dos 20 dias após o registo de nascimento, mesmo que residam no estrangeiro.
O que é o Cartão de Cidadão?
O Cartão de Cidadão é um documento autêntico, que contém os dados de cada cidadão relevantes para a sua identificação no território nacional, perante qualquer autoridade ou entidade pública ou privada:
- Apelidos;
- Nome próprio;
- Filiação;
- Nacionalidade;
- Data de nascimento;
- Sexo;
- Altura;
- Imagem facial;
- Assinatura;
- Morada (residência habitual);
- Impressões digitais.
Por esse motivo também centraliza os seguintes números de identificação, uma vez que substituiu os respetivos cartões identificativos:
- NIC (número de identificação civil);
- NIF (número de identificação fiscal);
- Número de utente dos serviços de saúde;
- NISS (número de identificação da segurança social).
Todos estes dados estão visíveis no próprio cartão, salvo a morada e as impressões digitais, que apenas constam da informação contida em circuito integrado.
Por outro lado, o Cartão de Cidadão substituiu o cartão de eleitor e o respetivo número, sendo que para votar basta apenas a sua apresentação.
Nota: A cada Cartão de Cidadão é atribuído um número de versão, composto por 1 dígito de controlo, e por conseguinte um número de documento, constituído por 2 carateres alfanuméricos e 1 dígito de controlo (estes números são antecedidos, na parte visível do cartão, pelo número de identificação civil).
Como é efetuada a prova de identidade?
A prova de identidade perante terceiros pode ser efetuada de duas formas:
- Leitura dos elementos visíveis – podendo as entidades e serviços do Estado complementar com a leitura ótica dos elementos que constam na zona específica destinada a esse fim (localizada na parte inferior do verso do cartão);
- Autenticação eletrónica – através dos elementos de identificação acima referidos armazenados no circuito integrado que está incorporado no cartão.
Nota: a necessidade de conferência de identidade não permite a retenção ou conservação do Cartão de Cidadão, nem a sua reprodução em fotocópia ou outro meio, a menos que esteja expressamente previsto na lei ou mediante decisão judicial.
Quais são as restantes funcionalidades do Cartão de Cidadão?
Devido ao circuito integrado (chip), o Cartão de Cidadão funciona sobretudo como um Smart Card, permitindo as seguintes funcionalidades digitais certificadas pelo Estado Português:
- Autenticação segura – possibilita o acesso seguro a vários portais públicos ou privados, através de um único login (certificado digital de autenticação);
- Assinatura digital – permite autenticar de forma unívoca a qualidade de autor de um documento eletrónico, já que tem a mesma validade da assinatura à mão (certificado digital de assinatura digital);
- Associar atributos profissionais – permite a autenticação segura e a assinatura digital na qualidade das funções que o seu titular desempenha (quer sejam profissionais, quer sejam públicas ou empresariais);
- Arquivo digital – o circuito integrado do Cartão de Cidadão tem um espaço livre para arquivo de informação pessoal, que o seu titular pode usar de acordo com a sua vontade.
Para utilizar estas funcionalidades é necessário um leitor de cartões smartcard. Quanto aos certificados digitais, têm de ser previamente ativados e a sua utilização necessita de software específico, como a aplicação Autenticação.gov disponibilizada pelo Estado Português.
Nota: o Estado Português certifica igualmente a Chave Móvel Digital (CMD), que é um meio alternativo de autenticação segura e de assinatura digital, que permite associar o número de telemóvel ao número de identificação civil (Cartão de Cidadão).