Como funciona
O simulador dá o valor de uma empresa por três caminhos, e mostra o intervalo entre eles. Nenhum é o valor certo: cada um responde a uma pergunta diferente, e o preço de uma venda acaba por sair de uma negociação. As hipóteses principais (o múltiplo, a taxa de desconto e o crescimento) são suas. Os valores de partida (5 vezes, 15% e 2%) são exemplos, não valores de mercado.
Método 1: múltiplo do EBITDA
O valor da empresa é o EBITDA multiplicado por um número de vezes. Com 90 000 € e um múltiplo de 5, são 450 000 €. Para chegar ao que pertence aos sócios, subtrai-se a dívida financeira líquida, isto é, a dívida menos a caixa: 60 000 € − 20 000 € = 40 000 €, e os sócios ficam com 410 000 €.
O EBITDA sai da demonstração dos resultados (veja o simulador de EBITDA), de um ano normal. Se o dono ganha menos ou mais do que custaria um gestor, ou se houve gastos que não voltam a existir, corrija em «Ajustes». O múltiplo tem de vir de empresas comparáveis, e só você sabe quais são. A tabela «E se o múltiplo fosse outro» mostra quanto o resultado depende dele.
Método 2: rendimento
Aqui o valor vem do que a empresa dá aos sócios todos os anos. O simulador capitaliza o resultado líquido do próximo ano, a crescer sempre à mesma taxa: resultado × (1 + crescimento) ÷ (taxa de desconto − crescimento). Com 55 000 €, 15% e 2%, são 55 000 × 1,02 ÷ 0,13 = 431 538 €. A conta assume que todo o resultado pode ser distribuído: se parte tiver de ficar na empresa para ela crescer, o valor é menor. A taxa de desconto é a rendibilidade que quem compra exige pelo risco: quanto maior o risco, maior a taxa. Se a taxa não for superior ao crescimento, a fórmula não dá valor e o método sai do intervalo.
Método 3: património
É o capital próprio do Balanço mais as mais-valias latentes, ou menos as menos-valias: a diferença entre o valor de mercado dos ativos e o valor registado, por exemplo num imóvel comprado há muitos anos. No exemplo são 250 000 €. Não conta o que a atividade rende: pesa mais em holdings e imobiliárias do que numa empresa de serviços.
Porque é que uma PME vale menos do que uma cotada
As empresas cotadas podem ser vendidas a qualquer momento; a participação numa PME, não. Também há menos informação, mais dependência do dono e menos diversificação de clientes. Quem avalia costuma descontar estes fatores (liquidez e risco), como explica o capítulo de Damodaran sobre empresas não cotadas. O simulador não aplica desconto de liquidez nem prémio de controlo: se os considerar, ajuste o múltiplo ou a taxa.
O que o simulador não inclui
- Projeções de vários anos: o método do rendimento assume crescimento constante.
- Imposto sobre a venda: a mais-valia dos sócios paga IRS ou IRC, consoante sejam pessoas singulares ou coletivas.
- Dívidas fora do Balanço, contingências, ativos não usados pela atividade e contratos com clientes ou fornecedores.
- Empresas com prejuízo, startups sem resultados e negócios em fase de liquidação.
O IAPMEI tem uma ferramenta gratuita, com projeções a cinco anos, para quem precisa de mais detalhe. Para uma venda ou uma sucessão, peça uma avaliação profissional. O ponto de equilíbrio e a margem de lucro ajudam a perceber de onde vem o EBITDA.