Como usar
Na primeira lista, escreva o que entra na conta, depois de impostos e descontos. Na segunda, o que sai. Em cada linha, escolha de quanto em quanto tempo acontece: por mês, por trimestre, por semestre ou por ano. A conta passa tudo a valor mensal. Os valores de partida são apenas um exemplo: troque-os pelos seus, ou pelos das suas faturas.
Se tiver dúvidas sobre o seu rendimento líquido, parta do simulador de salário líquido. Em cada despesa, indique o tipo: necessidade, desejo, poupança ou prestação de crédito.
O exemplo de partida
Um casal com dois salários de 1 400 € e 1 000 € líquidos e 4 800 € de subsídios por ano tem 2 800 € por mês. Gasta 860 € em necessidades, incluindo 40 € por mês para o seguro do carro e o IUC. Paga 650 € de prestação da casa. Gasta 400 € em desejos, com 150 € por mês para férias. Poupa 300 €. Sobram 590 € sem destino, o que dá 890 € de capacidade de poupança, ou 31,8%.
Taxa de poupança e taxa de esforço
A taxa de poupança é a parte do rendimento que não é gasta: o que guarda de forma deliberada e o que sobra. Se o saldo for zero ou negativo, é só a poupança prevista. Para ver quanto cresce o que poupa, use os juros compostos.
A taxa de esforço mede o peso das prestações. A Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal, para contratos com avaliação desde 1 de agosto de 2026, recomenda aos bancos que não concedam crédito que leve esta taxa acima de 45% do rendimento líquido. Antes era de 50%. Até 10% do crédito de cada instituição, por semestre, pode ultrapassar o limite, com justificação. Os bancos também calculam a prestação do crédito novo com um aumento de taxa, por isso a conta deles pode dar um valor mais alto do que o seu.
A recomendação é dirigida aos bancos, não às famílias. Mas é uma referência útil: quem passa os 45% tem menos margem para imprevistos. O mesmo orçamento mostra se ainda cabe outro crédito: veja o simulador de crédito pessoal.
A regra 50/30/20
A página compara o seu orçamento com uma regra simples: 50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupança. Ficou conhecida com o livro All Your Worth, de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi. É uma referência, não um objetivo obrigatório: com habitação cara, é difícil ficar nos 50%, e com rendimento baixo as necessidades pesam mais. No simulador, as prestações de crédito contam nas necessidades, e o que sobra sem destino conta na poupança.
O que costuma ficar de fora
As despesas que escapam mais são as que não são mensais: IUC, IMI, seguros, condomínio trimestral, material escolar, prendas, revisão do carro, férias. Junte-as e divida por 12. Se dividir despesas com outra pessoa, use o simulador de dividir despesas. Para comparar o seu custo de vida com outros, veja o de custo de vida.
O que não está considerado
O simulador não diz quanto deve gastar, nem considera aumentos de preços, de juros ou de rendimentos ao longo do ano. Não guarda o que escreve: se recarregar a página, volta ao exemplo. A taxa de esforço usa as prestações que indicar e o rendimento líquido total, sem os ajustes que o banco faz na avaliação.